Quem se lembra do mundo sem internet? Os apresentadores da TV, as revistas e os jornais diziam o que queriam e a gente engolia aquilo tudo calado. Até poderiamos tentar enviar uma carta pro jornal e contestar, mas sem garantia de que seríamos ouvidos.
Eu não sou jornalista, não escrevo bem, e provavelmente você encontrará muitos erros de gramática e ortografia ao ler meus textos. Mas graças à internet eu tenho direito de me expressar, de escrever o que eu penso e ao mesmo tempo, você terá direito de concordar ou discordar de mim publicamente.
Esse é o mundo do século 21. Todo mundo fala o que quer e consequentemente escuta o que não quer. A grande dificuldade, e talvez o desafio, desse novo modelo de comunicação, é fazer com que as pessoas aceitem um comentário que é diferente do seu próprio ponto de vista. Mas a beleza da vida está nas diferenças e na diversidade, a partir do momento em que a gente decide ficar perto de quem é parecido com a gente, a diversidade acaba e a gente pára de crescer.
Mas eu vejo uma coisa perigosa acontecendo, a tal da maioria vence!
Por exemplo, todos agora devem concordar com o direito dos gays se casarem, então quem é contra se transforma no homofóbico perigoso para a sociedade. Quem é contra amamentar em público mostrando o peito vira vilão e assim por diante. É claro que a robalheira no governo continua e que vão destruir a Amazônia e ninguém vai fazer nada, afinal o que podemos fazer? Mas nós vamos continuar twitando e postando nas nossas paredes que não devemos falar mal dos gays, as mulheres devem mostrar os peitos e os cachorrinhos de rua devem ser salvos, que todos devem ter o direito de fumar maconha e assim todos viverão felizes para sempre.
Na minha opinião, esse movimento atual dos gays é um movimento machista (acreditem ou não). Quero deixar claro aqui eu não sou homofóbica, gosto de gays, acho que a grande maioria dos homosexuais é de gente mais inteligente do que a média da população. Eles e elas são normalmente bem politizados e interessantes. Mas o que eu quero mostrar aqui é que quem é contra o casamento de duas pessoas do mesmo sexo, também deve poder se manifestar, porque liberdade de expressão implica que todos possam mostrar suas idéias.
Essa semana eu vi o programa CQC pelo facebook, e o tal do Rafinha, soltou uma piada do bico do peito que parece um rocambole, que aparentemente só eu achei graça (na verdade uma das poucas piadas que me fez rir naquele programa chato). Eu fiquei impressionada com a repercussão daquele quadro. O que acontece com os brasileiros? Estamos tão deprê assim que nem conseguimos mais rir de uma piada? Cadê o senso de humor das pessoas?
Eu sou mulher, sem filhos, discordo do tal acontecimento onde a mulher foi proibida de amamentar em público, mas por favor, seria tão necessário reagir dessa forma? Eu moro na Suécia há 5 anos, um país bem menos machista do que a américa latina, e nunca vi uma mulher amamentando em público. Nunca vi o peito de uma mulher sueca no trem ou no ônibus. Pra quê fazer esse mamaço? Não entendi esse movimento, qual o objetivo dele? Favorecer o feminismo? Favorecer o direito de ser mãe? Me expliquem por favor.
Porque ninguém faz um roubaço? Vamos lá em Brasília fazer um roubaço e pegar nosso dinheiro de volta. Vamos fazer um amazonaço e proibir a destruição de mais de 60% de floresta. Porque ninguém protesta contra a corrupção? Porque ninguém protesta contra os livros de história, de geografia e matemática que se usam nas escolas? Porque ninguém protesta contra as falsas verdades que são contadas diariamente?
Porque pensar nos nossos mais profundos problemas dói. A gente não ver solução a curto prazo, vamos continuar sendo marionetes por muitos anos, vamos continuar tendo que pagar escolas e planos de saúde caros, vamos continuar vivendo nessa sociedade racista que é a sociedade brasileira.
Como a gente não consegue fazer nada pra mudar como a nossa sociedade é, até porque a nossa sociedade é o reflexo de nós mesmos, vamos criando outros pequenos problemas para poder contestar porque isso dá uma certa sensação de poder e de liberdade de expressão.
A internet está aí. Por enquanto ainda podemos escrever o que queremos, vamos aproveitar e botar a boca no trombone. Vamos colocar a cabeça pra pensar além da caixola. Vamos aproveitar o único meio em que ainda temos condições de nos expressar e fazer a diferença.
























